Dores de cabeça e nos dentes são algumas das queixas que as crianças podem relatar aos pais e confundi-los sobre as causas originais de um problema muito comum: o bruxismo na infância.

O distúrbio, que pode acometer meninos e meninas a partir dos 2 anos de idade e que tem prevalência de cerca de 40% na infância, é multifatorial e deve ser identificado o quanto antes, devido às complicações que pode gerar à criança.

Acompanhe o texto que preparamos para você e entenda o que é o bruxismo infantil, como identificá-lo e a importância do seu tratamento imediato.

O que é o bruxismo infantil

O bruxismo é um tipo de desordem funcional involuntária que consiste no ato de apertar ou ranger os dentes. Embora possa ocorrer em qualquer fase da vida, ele comumente tem início a partir dos dois anos de idade e desaparece, em muitos casos, durante ou após a adolescência.

O distúrbio é classificado em bruxismo noturno, quando o ato ocorre durante a noite (sendo mais comum em crianças menores), e bruxismo de vigília, que pode ocorrer durante todo o dia e está mais relacionado a questões emocionais e comportamentais, como a ansiedade.

Esse apertamento dos dentes, para muitos especialistas, é uma forma de extravasar os nervos, já que muitas vezes esse sintoma vem para demonstrar um problema maior. Por isso, a necessidade em identificá-lo, conhecer seus fundamentos e tratá-lo o quanto antes.

E quais fatores contribuem para sua ocorrência?

Fatores desencadeadores do distúrbio

O bruxismo infantil é multifatorial e pode envolver questões emocionais, fisiológicas, genéticas e do próprio temperamento da criança.

Identificar e tratar o ato de ranger dos dentes não representa a solução definitiva do problema, já que o mais indicado é conhecer e agir na sua origem para obter resultados terapêuticos mais eficazes. Portanto, veja a seguir as causas mais comuns do bruxismo e entenda por que ele pode surgir.

Questões emocionais ou comportamentais

O bruxismo infantil pode ser um reflexo emocional, que esconde sintomas de ansiedade, hiperatividade, estresse e irritação.

Problemas como excesso de atividades escolares ou extracurriculares, temperamento mais ansioso e hiperativo, brigas e problemas familiares são alguns dos fatores emocionais que desencadeiam reações físicas como o ranger dos dentes.

Nessas situações, o tratamento envolve exercícios e técnicas de relaxamento orientados por um psicólogo, acompanhado do uso de protetores de dentes e placas de mordida confeccionados sob medida pelo dentista, de forma a evitar danos dentários, musculares e articulares.

Problemas respiratórios

Dificuldades na respiração causadas por problemas respiratórios como sinusite, rinite, apneia do sono, respiração bucal e desvio de septo podem reduzir a taxa de oxigênio no sangue, induzindo a liberação de neurotransmissores que estimulam a atividade cerebral e a frequência cardíaca, desencadeando o ranger dos dentes.

Vale ressaltar que devido à maior prevalência das doenças respiratórias no inverno, é registrado um aumento do bruxismo durante essa estação.

Problemas dentários

A má oclusão ou desalinhamento dos dentes superiores ou inferiores e o uso de aparelho dentário também podem contribuir para o bruxismo. Assim, o dentista deve acompanhar o desenvolvimento dentário da criança e restaurar os dentes à medida que venham a se desgastar.

Uso de medicamentos

Alguns medicamentos podem também estar associados ao surgimento do bruxismo na infância, é o caso de uma classe de antidepressivos chamados inibidores seletivos de receptação de serotonina. São reguladores de humor que, entre outros sintomas, provocam a sensação de boca seca.

Nesse caso, cabe ao especialista avaliar a possibilidade de trocar a medicação para outra que mantém a função antidepressiva e anula essa reação adversa.

Quadros inflamatórios

A inflamação no ouvido representa uma causa menos comum do bruxismo infantil, mas também pode causar dores que desencadeiam o ranger dos dentes.

Problemas estomacais e outros

Problemas fisiológicos como o refluxo do ácido estomacal para o esôfago ou para a boca e complicações de outras doenças menos comuns na infância, como a doença de Huntington e a doença de Parkinson, podem também apresentar causas menos frequentes do distúrbio na infância.

Como identificar o bruxismo

Embora sua descoberta não seja muito simples, pais e responsáveis devem ficar atentos aos sinais mais comuns para o diagnóstico do bruxismo infantil, como:

  • sensibilidade dentária;

  • queixas de dores de cabeça, ouvidos, do pescoço e da mandíbula (principalmente ao acordar), além da dor na mastigação e zumbidos no ouvido;

  • dores nas articulações da face;

  • estalos ao abrir e fechar a boca;

  • alterações do sono;

  • ruídos na mastigação.

A importância de tratar prontamente o bruxismo

Como representa um distúrbio associado a outros problemas, identificar e tratar o bruxismo e suas origens consiste em evitar ou minimizar diversas repercussões que podem impactar na saúde da criança, tais como:

  • desgaste prematuro e fraturas nos dentes;

  • problemas na gengiva;

  • perda do esmalte dentário;

  • transtornos do sono;

  • problemas emocionais secundários em função da má disposição provocada por interferências no sono;

  • hipertrofia dos músculos da mastigação;

  • má posição dentária;

  • problemas na articulação temporomandibular, como inflamações musculares.

Na presença de um ou mais sintomas citados, os pais devem consultar o dentista e o pediatra para que a avaliação individual seja realizada e as opções de tratamento iniciadas, que podem incluir:

  • a utilização da placa estabilizadora (que deve ser evitada no caso da dentição de leite, uma vez que ela pode comprometer o crescimento dos ossos) ou de aparelhos ortodônticos para corrigir a arcada dentária, melhorar o encaixe e impedir lesões;

  • terapias psicológicas para amenizar influências emocionais;

  • terapias comportamentais, como exercícios que relaxem as mandíbulas e os dentes;

  • terapias farmacológicas, que podem incluir o uso de ansiolíticos e analgésicos.

Mas, lembre-se! O diagnóstico e a terapia adequada é aquela indicada por profissionais habilitados. Por isso, fique atento aos sinais indicativos de bruxismo na infância e garanta o acompanhamento médico regular do seu filho, evitando assim, comprometer sua saúde bucal e fornecendo a ela maior qualidade de vida durante todo seu desenvolvimento!

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