O câncer é uma das doenças que mais afligem a população mundial e, dependendo do seu tipo, pode atingir indivíduos de qualquer faixa etária. E um desses tipos de câncer que têm apresentado um aumento no número de casos nos últimos anos é o câncer de boca.

Para se ter ideia, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o número de mortes em 2013 foi de 5.401 pessoas, sendo 4.223 homens e 1.178 mulheres.

Além disso, em 2016, a estimativa para o final do ano foi de 15.490 casos de morte, destacando-se o número elevado de mortes de pessoas do sexo masculino: 11.140 — mais do que o dobro em 3 anos.

No Brasil, o câncer de boca está entre os dez mais comuns, segundo o INCA. E seus números não param de crescer. Por isso, no post de hoje veremos o que é o câncer de boca, quais são suas causas principais, seus sintomas mais comuns e como funciona o tratamento. Confira!

O que é o câncer de boca?

Grosso modo, o câncer de boca é caracterizado por afetar os lábios ou a cavidade oral da pessoa.

Geralmente, é no lábio inferior que a doença se desenvolve e, dentro da boca, pode ocorrer nas mais diversas localizações, como nas bochechas, na língua ou embaixo dela, no céu da boca, nas amígdalas e nas glândulas salivares.

Como analisado por dados estatísticos, e confirmado pelas pesquisas efetuadas pelo INCA ao longo dos anos, o câncer de boca é mais comum em pessoas do sexo masculino — tanto no Brasil, como no mundo.

A doença demora para demonstrar os primeiros sintomas, e costuma se manifestar a partir dos 40 anos. Comumente, é descoberta ao acaso — na maioria das vezes, percebida por um dentista ou outro médico profissional a partir de exames de rotina.

Quais as principais causas da doença?

Em geral, todos os tipos de câncer estão sobre constante análise médica e aprofundamento científico, para que se possa conhecer, com certeza, todas as suas caraterísticas. Nesse sentido, a causa do câncer de boca é um dos fatores mais estudados pelos médicos.

Segundo algumas pesquisas, há certo consenso de que a predisposição genética e alguns hábitos de vida podem gerar a doença. E essa predisposição genética está relacionada à hereditariedade e a mutações de algumas células.

Pesquisas recentes apontam que a doença pode se manifestar a partir de um gene mal formado, que pode ser passado de pai para filho. Esse gene causa mutações nas células que, ao ficarem doentes, vão se multiplicando até gerarem um tumor e, depois, o câncer propriamente dito.

Os fatores mais comuns relacionados à causa da doença, no entanto, já são bastante conhecidos: o fumo e o alcoolismo. Os fumantes estão entre 80% a 90% dos indivíduos que apresentam câncer bucal.

E o mesmo vale para quem masca tabaco, que eleva em 50 vezes a chance de desenvolver o problema. Já o álcool costuma agir como um coadjuvante, potencializando o efeito do fumo e aumentando ainda mais os seus riscos.

Outro fator que vêm sendo estudado pelos pesquisadores é a contaminação pelo papilloma vírus, o HPV.

Segundo biólogos da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP), o câncer de boca — principalmente se localizado nas amígdalas — está intrinsecamente ligado ao HPV, visto que tal relação apontou um crescimento de 25% no total de casos identificados no país.

Aqui, vale lembrar que a principal forma de aquisição do HPV é por meio do ato sexual sem preservativos.

Quais os sintomas mais comuns?

Alguns sintomas da doença costumam ser bem simples, e até passam despercebidos. Outros, por outro lado, indicam que algo realmente não vai bem.

Assim, o ideal é sempre ficar esperto quanto ao aparecimento dos sintomas e, se possível, fazer exames precoces como precaução, já que os sinais aparecem muito tarde. Os sintomas mais comuns que costumam aparecer são:

  • feridas na boca que não cicatrizam;
  • dores na língua e nas bochechas;
  • aparecimento de nódulos na boca e pescoço;
  • regiões esbranquiçadas ou avermelhadas por toda a cavidade bucal;
  • dor na garganta, com sensação de nó ou algo que dificulta a deglutição;
  • dificuldade em movimentar a mandíbula e a língua;
  • dentes sensíveis ou enfraquecidos;
  • mudanças na voz;
  • perda de peso;
  • mal hálito e perda de paladar (comum, principalmente, em fumantes);

Outro sintoma bastante comum, mas que deve ser analisado de forma específica, é o aparecimento de caroços na língua.

Nesse caso, à primeira vista, o indivíduo se assusta e logo imagina o pior. No entanto, na maioria das vezes, esse caroço é uma papila gustativa do tipo circunvalada. Um dentista poderá facilmente identificar o caroço e determinar se ele é normal ou cancerígeno.

Se os sintomas desaparecem em duas semanas, geralmente não há motivo para se preocupar. Agora, se eles permanecerem ou piorarem, está mais do que na hora de procurar auxílio médico e consultar um dentista — ou um oncologista, especialista em doenças do câncer.

Qual são os tratamentos mais adequados?

Bom, feito o diagnóstico correto, depois de verificados todos os exames, uma equipe de médicos especialistas — composta por oncologistas e dentistas — dará início ao tratamento mais adequado.

Quanto a isso, é muito importante lembrar que cada paciente é diferente do outro e, portanto, os métodos de tratamento podem variar. Dependendo do grau da doença, a cirurgia pode ser indispensável.

E, após o procedimento operatório, dá-se início à radioterapia e à quimioterapia. De fato, efeitos colaterais são inevitáveis, e a boca pode ficar afetada, exigindo atenção redobrada pelo médico dentista.

Tais efeitos colaterais podem variar desde o ressecamento da boca e das mucosas até uma dificuldade de deglutir e perda de cabelo. Além disso, a radiação emitida pela radioterapia pode aumentar a probabilidade de doenças oportunistas aparecerem, como as cáries.

Assim, é muito importante que, até mesmo durante o tratamento, a saúde bucal seja algo presente no dia a dia. A escovação dentária deve ser feita, no mínimo, três vezes ao dia, com auxílio do fio dental.

Se você fuma ou faz consumo de álcool, pare imediatamente, durante e após o tratamento, se possível. E não se esqueça de tomar cuidado com os ferimentos, para não agravar a situação.

Enfim, como vimos, o câncer de boca é uma das doenças que está crescendo em uma velocidade incrível nos últimos anos. Felizmente, ele tem sido amplamente estudado pela comunidade médica, que vem sendo bastante eficaz e competente na descoberta de novos conhecimentos para o seu combate.

Então, lembre-se de que é essencial que exames de rotina sejam feitos regularmente para a manutenção da saúde. Só assim se pode descobrir a doença precocemente e, então, combatê-la da melhor forma possível.

Os sintomas também são ótimos indicadores, mas costumam aparecer tarde de mais. Por isso, a recomendação é que você vá sempre ao dentista para que este valioso profissional cuide de sua saúde bucal da melhor maneira!

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