HPV na boca: conheça os sintomas e tratamento

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Embora seja um ato inofensivo, o beijo na boca pode transmitir doenças. Por isso, é sempre bom estar atento às pessoas com as quais você se relaciona, pois é possível contrair um vírus que pode causar problemas sérios para sua saúde: o HPV na boca.

O HPV bucal aumenta o risco de desenvolvimento de câncer oral e outras doenças bucais. Vale destacar que, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), apenas em 2018 foram estimados cerca de 15 mil novos casos de câncer na boca. Portanto, você deve ficar atento aos sintomas e causas da infecção causada por esse vírus — que está presente nos quatro cantos do país!

Para te ajudar, no post de hoje vamos falar sobre o HPV, como identificar os seus sintomas, os riscos que ele oferece à sua saúde e as suas formas de prevenção. Acompanhe!

O que é o HPV?

Os HPVs são um grupo com diversos tipos de vírus — estima-se que sejam aproximadamente 100 —, e cada um ataca uma região distinta do corpo humano. HPV é a abreviação de Vírus do Papiloma Humano, e ele é assim chamado porque alguns tipos do vírus causam verrugas, ou papilomas, que são tumores não cancerosos.

No geral, o HPV pode aparecer na pele e nas mucosas dos seres humanos. Os locais mais comuns da sua incidência são a vulva, a vagina, o colo do útero e o pênis. Contudo, ele também pode viver na cavidade oral. Nesse caso, o vírus pode afetar o céu da boca, os lábios, a língua e até mesmo a garganta.

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das pessoas não apresenta sintomas do HPV. As primeiras manifestações dele podem aparecer após 2 a 8 meses, mas pode chegar até 20 anos. Geralmente, grávidas e pessoas com imunidade baixa são mais propensas a desenvolverem os sintomas.

Quais são os tipos diferentes de HPV?

Existem diferentes tipos de HPV, mas, para facilitar o seu entendimento, vamos dividi-los em HPV de alto e baixo risco:

  • HPV de alto risco: os HPVs ligados ao câncer em órgãos genitais de homens e mulheres são considerados de alto risco, já que podem causar essa doença. Alguns deles são o HPV-16, HPV-18, HPV-35 e HPV-52;
  • HPV de baixo risco: nesse caso, a doença pode desenvolver verrugas em formato de couve-flor nos genitais ou ao redor do ânus, no qual estão incluídos o HPV tipo 6 e tipo 11.

Quais são os sintomas do HPV na boca?

O período de incubação do papiloma vírus varia de quatro semanas a um ano. No entanto, a maior parte dos sintomas pode não aparecer nesse tempo. Em tais casos, a pessoa sequer reconhece que foi contaminada, só o descobrindo bem mais tarde, quando aparecem lesões indicativas de câncer na boca.

Agora, nas situações em que o vírus pode ser notado com mais facilidade, os principais sinais da doença são:

  • lesões parecidas com verrugas esbranquiçadas;
  • excesso de pequenas aftas, principalmente na ponta e embaixo da língua, céu da boca e gengiva;
  • dor de ouvido;
  • dificuldade para mastigar e engolir os alimentos.

Quais são as causas da HPV na boca?

Também conhecido como “crista-de-galo”, o vírus é responsável por uma das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) mais presentes hoje em jovens e solteiros. Se uma pessoa está contaminada, ela pode transmitir a doença por meio do beijo na boca ou do contato íntimo oral, caso tenha lesões ou feridas abertas.

A forma mais comum do contágio é pelo sexo oral, pois se o parceiro já tiver o HPV presente nos órgãos genitais, a chance de contaminação aumenta. Em casos mais raros, a mãe pode passar o vírus para o filho por meio do parto normal.

Essa infecção, que pode afetar as áreas genitais, boca e garganta, também pode ocasionar a doença de Heck, caracterizada por lesões dentro da boca que causam muito incômodo e são capazes até de alterar a estética do rosto da pessoa contaminada.

Quais são as opções de tratamento para o HPV na boca?

Existem 24 tipos diferentes de HPV que podem alterar a região da boca, e só um especialista poderá indicar qual é o tratamento indicado para cada um deles. Normalmente, é realizada uma cirurgia para analisar as lesões do paciente.

Ainda assim, apenas retirar as feridas não garante que a doença não surja novamente. Por isso, quem porta o vírus precisa de tratamento com antivirais por um período de tempo. Enquanto isso, o paciente deve consultar o médico regularmente para verificar se há riscos de a doença voltar.

Além da cirurgia, outras opções de tratamento são: uso de pomadas, soluções especiais, medicamentos e laser. Independentemente da forma de tratamento escolhida, no entanto, o mais importante é iniciá-lo assim que a doença for diagnosticada.

Quais são os riscos do HPV?

Quando estão infectadas, as células da mucosa bucal podem se tornar anormais. E é justamente esse fator que possibilita o aparecimento de câncer na orofaringe, que pode ser causado pelo HPV-16. Se, mesmo após o tratamento contra o HPV, o organismo não eliminar todo o vírus, a chance de desenvolvimento desse tipo de câncer só aumenta.

Caso seja constatada a presença de câncer, o paciente vai notar que sofre com feridas não região que demoram para cicatrizar, pode sentir que tem algo preso dentro da garganta e até desenvolver rouquidão.

Além disso, os linfonodos podem aumentar em tamanho e número, prejudicando diretamente ações cotidianas como a mastigação, dicção e respiração. No câncer da orofaringe, os locais mais afetados são a garganta, o terço posterior da língua e as amígdalas.

Apesar de ser um fator de risco, ainda não está claro se apenas o HPV é suficiente para ocasionar a doença. Alguns estudos confirmam que fumar ou mastigar tabaco também são fortes contribuintes para o câncer de orofaringe.

Qual é a relação entre o câncer de boca e o HPV?

Segundo o diretor de Pesquisa da Divisão de Oncologia Ginecológica da Universidade da Califórnia, Krishnansu Tewari, cerca de 90% das pessoas em todo o mundo já tiveram algum contato com o HPV. Nesse grupo, 95% das pessoas se curaram naturalmente do problema, ao passo que os outros 5% desenvolveram algum tipo de câncer.

Já de acordo com o médico Rodrigo Melo, cirurgião oncológico do Cetus Hospital Dia, em 70% dos casos a doença é diagnosticada em estágio avançado, o que dificulta as chances de cura. Além disso, o que atrapalha o diagnóstico precoce é o preconceito que as pessoas têm em relação à doença, já que ela é transmitida, comumente, pelo sexo.

Desse modo, ainda que, na maioria das vezes, o próprio sistema imune das pessoas consiga se livrar do vírus sem trazer nenhum problema para a saúde, existe uma parcela da população que pode sofrer gravemente com essa doença e ter tumores malignos que não são vistos aparentemente.

Qual é a importância do profissional odontológico no tratamento?

Como o profissional de odontologia é a pessoa mais capacitada para tratar da saúde bucal, é fundamental buscar auxílio odontológico caso sinta alguns dos sintomas do HPV na boca. Caso esteja com verrugas, esse profissional pode removê-las cirurgicamente e até fazer a crioterapia, na qual o dentista congela as verrugas para, em seguida, fazer a sua extração.

Além disso, ainda que você nem perceba os sintomas, o dentista pode analisar a sua região bucal e constatá-los. Por isso, é fundamental manter uma frequência constante de visitas aos consultórios odontológicos.

Mas vale o alerta: o tratamento do HPV também precisa ser acompanhado por um médico, pois a doença leva cerca de dois anos para ser removida do corpo. E esse profissional será capaz de investigar se o problema pode se desenvolver ou já se desenvolveu para uma situação mais grave, como o câncer.

Como se prevenir da doença?

Mesmo que haja tratamento, a melhor forma de evitar a doença ainda é a prevenção. Como uma das principais formas de contágio se dá pelo beijo, é importante que se tenha consciência da quantidade de pessoas que se beija.

Evitar beijar e ter relações com pessoas desconhecidas é uma das principais formas de prevenção. Mas, mais que isso, nunca dispense o preservativo, principalmente na hora do sexo oral, pois essa é a principal forma de contágio.

Consultar regularmente o seu dentista para que ele identifique possíveis lesões também ajuda a manter sua saúde bucal em dia. Além, é claro, de evitar o cigarro e diminuir o consumo de álcool, já que o uso excessivo e prolongado de ambos os produtos tem relação com o câncer de boca.

Outra forma de prevenção da doença é tomar a vacina contra o vírus, que é distribuída na rede pública de saúde. Ela é indicada para meninas entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos; pessoas que tiveram transplante na faixa de 9 a 26 anos; e pessoas que têm o HIV. No entanto, a vacina não é eficaz para tratar os sintomas do HPV, já que ela age de forma preventiva.

Por fim, ao sinal de qualquer lesão, ferida ou anormalidade na boca, não negligencie a sua saúde e procure um médico imediatamente. Como dissemos, quanto mais tempo você demorar para procurar por ajuda, maiores serão as chances de a doença se espalhar e provocar problemas ainda mais nocivos. Então, não deixe para cuidar da situação apenas quando ela estiver pior.

Por outro lado, não há razões para ficar desesperado só porque encontrou alguma lesão! Isso não significa, necessariamente, que você tem o HPV na boca. Somente com uma avaliação de um profissional e exames a doença pode ser diagnosticada corretamente. Lembre-se disso!

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